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domingo, 28 de março de 2010

Sob a magia da lua - Por Paulo Marcelo Dalbosco

Paulo Marcelo Dalbosco. Este é um amigo que me impressiona muito pelo seu bom gosto e discernimento. O cara sempre aparece com ótimas dicas e comentários sobres os mais variados assuntos, além do seu bom humor.O engraçado é que apesar de morarmos na mesma cidade só nos conhecemos virtualmente, coisas do mundo virtual(rs.)Ele já marcou presença por aqui quando dediquei um postagem sobre o personagem Sadman de Neil Gaimam.E por esses dias ele mencionou sobre a banda MoonSpell e Fernando Pessoa, exatamente em um momento onde estou desenvolvendo um projeto(um dos varios) que tem como fundamentação a obra do poeta Fernando Pessoa! Magnífico!
Achei tão interessante que pedi a ele que me concedesse a honra de escrever algo sobre o assunto para o geada negra. O amigo só não atendeu de prontidão, como fez um trabalho excelente!E que ela seja a primeira de outras muitas colaboração e parcerias com o amigo Paulo Marcelo Dalbosco

Sob a Magia da Lua

Para mim, falar sobre o Moonspell é como falar de uma coleção de livros que me acompanha desde a adolescência, escutar e “ler” Moonspell se iguala a sentir essências antigas, olhar no olho do lobo ou sentar em uma casa de ópio atrás de um novo sonho, prazeres que só podem ser trazidos através de um bom livro, ou no caso, na música do Moonspell.

O Principio de Um Deus Mórbido

Para se chegar ao ponto que desejo com este mal escrito texto preciso contar a quem não conhece de onde origina o Moonspell e o que ele representa no mundo da música, voialá:

Primeiramente a banda se chamava “Morbid God”, sendo formada em 1989, uma banda de Black Metal formada por músicos inexperientes que queriam fazer música, a banda chegou a gravar uma faixa chamada “Serpent Angel” e lançar sua primeira demo-tape, porém a banda só veio a se estabilizar em 92 e vim a alterar o nome para Moonspell, já devido ao rumo das letras de Fernando Ribeiro (vocalista) que influenciado por seus estudos de filosofia e literatura traria letras mais maduras com conteúdo sobre antigas lendas e filosofia pagã.
Em 93 lançam sua demo “Anno Satanae” e um mini-cd intitulado “Under The Moonspell” onde a musicalidade apesar de ainda ser Black Metal pode-se notar influencia de outros estilos e citações de “Marques de Sade” e “Langsuyar T. Rex”, porém foi em 95 já na Century Media com seu primeiro álbum Wolfheart que o Moonspell mudou o rumo do metal com fortes influencia da musica oitentista, metal, folk lusitana e literatura filosófica colocando-os finalmente no eixo do metal internacional.
Seu segundo disco “Irreligious” até hoje citado por muitos como seu melhor disco é uma deliciosa obra com o charme das casas de ópio, é uma bela sequência do disco que o antecede com forte filosofia em “Mephisto”, influencia de literatura em “Herr Spiegelman” e “Opium” (que contém um trecho de “Opiário” de Álvaro de Campo que irei falar depois), lendas antigas como em “Full Moon Madness” que contém partes da música em português, música qual foi a primeira que escutei da banda pelos idos de 96 e foi responsável por boa parte da paixão que tenho pela banda.
Em 98 foi lançado o álbum “Sin\Pecado” este experimental disco me lembrou muito o que o Paradise Lost tinha feito a um ano atrás, um álbum eletrônico, lírico e atmosférico filosofando sobre a ruína humana, assim como foi nos anos oitenta com a depressão inglesa, só que mais moderno e maduro, o público “metal” torceu o nariz para este álbum que em minha opinião esta entre os melhores da banda.
Elevando ainda mais a fase experimental da banda, em 99 lançam o álbum “Butterfly Efect”, um álbum diferente de tudo que já tinha escutado e talvez muito experimental para um público comum.
Em 2001 foi gravado “Darkness and Hope” um álbum completamente oitentista que lhe gerou a fama de banda “gothic”, rótulo que não gosto de usar, mas não poderia deixar de citar, um ótimo álbum com grandes canções que em minha opinião são uma continuidade do que estava sendo feito em “Sin\Pecado”, edições especiais trazem covers de “Sacred – Depeche Mode”, “Love Will Tears Us Apart – Joy Division”, “Mr. Crowley – Ozzy Osbourne” e “Os Senhores da Guerra – Madredeus”, mostrando a variedade de influencia da banda.
Em 2003 foi a vez do álbum The Antidote ver a luz do dia, álbum que trouxe o peso novamente a música do Moonspell, junto ao disco vinha um livro de contos chamado “Antídoto” de “José Luis Peixoto”, que contribuía para o clima das letras do álbum. Em 2006 o álbum “Memórial” ganha prêmios na Mtv e o Moonspell ganha status de a maior banda de metal da Europa na atualidade, um ótimo trabalho com letras visivelmente influenciada pelo mestre do Horror H.P. Lovecraft, algo que continuou no excelente “Night Eternal” de 2008.

Um Tributo Ao Mestre

Este é o ponto principal deste texto, que o Daniel pediu para colaborar para o Geada, que seria a relação de Fernando Ribeiro com Fernando Pessoa, para isso terei que falar um pouco da vida de Fernando Ribeiro fora do Moonspell, voialá:

Ribeiro se formou na Faculdade de Letras de Lisboa, onde estudou filosofia, já publicou três livros de poesia, “Como Escavar Um Abismo” (2001), “As Feridas Essenciais” (2004) e “Diálogo de Vultos” (2007), em 2005 escreveu as introduções para “Os Melhores Contos de Howard Phillips Lovecraft” e traduziu a biografia de Lovecraft para o Português e escreve regularmente uma coluna na revista de metal portuguesa “Loud”.

A relação entre os dois “Fernandos” é visível em sua forma de fazer poesia, sendo Fernando completamente influenciado pelo maior poeta português de todos os tempos, todo poeta é um filósofo, mas nem todo filósofo é poeta. Ribeiro conseguiu transbordar sua influencia literária para a música em faixas como “...Of Dream and Drama”, “An Erotic Alchemy”, “Ataegina”, “Trebaruna”, “Ruin & Misery”, “A Poison Gift”, dentre muitas outras, mas queria destacar “Opium” música cujo tema principal é “Opiário”, poesia de Álvaro de Campos heterônimo de Pessoa na qual Ribeiro canta um trecho em português no final da canção:

"Por isso tomo ópio/
É um remédio/
Sou um convalescentes do momento/
Moro no rés do chão do pensamento/
E ver passar a vida/
Faz me tédio"

O vídeo clipe da música mostra “Fernando Pessoa (Opiário)” usando ópio para adubar sua imaginação para poder escrever, descrevendo o ambiente de uma “Casa de Ópio” algo comum na época.
O álbum todo (Irreligious) tem um “perfume” de ópio em todas as suas faixas, podemos assim notar tamanha influencia do mestre Pessoa, nesta música em especial Ribeiro faz um tributo a um grande mestre da filosofia e da poesia não só de Portugal, mas do mundo.

Videoclipe de Ópium


video


Observações Finais

Tive o prazer de poder conversar com Fernando após um show do Moonspell em SP e tive uma grande surpresa, é maravilhoso poder ver o show de uma banda que você admira há tanto tempo, mas o mais maravilhoso é você ir conversar com seu ídolo e você chegar e dizer “Puta show foda!” e ele apertar sua mão com força, lhe abraçar e dizer “Foda são vocês!” e ter a chance de elogiar ele e ver que ele é alguém normal, como você e acima de tudo humilde e gentil e tem o carinho de nos chamar de “irmãos de pátria”.

Fernando tem outros projetos fora do rock, participou de Óperas em Lisboa e de um tributo a uma cantora portuguesa chamada Amália, o projeto “Amalia Hoje” é soberbo para com a cultura do povo português, vale a pena conferir.

Video de Amália Hoje ao vivo >>

http://www.youtube.com/watch?v=kNQNuvHq70k&feature=related

Videoclipe oficial de Amália Hoje
http://www.youtube.com/watch?v=BgQeJ6BqRLI&feature=related


Para terminar quero agradecer ao Daniel pela honra de escrever para seu blog sobre o Moonspell e Pessoa que são raízes de culturas tão diferentes que bebem a água do mesmo rio, um grande abraço ao amigo Daniel. Obrigado pela atenção a estas palavras rebuscadas por alguém que não sabe escrever, mas é apaixonado pela escrita, cuidem-se!





* Paulo Marcelo Dalbosco (28), estudante de Ciência da Computação, profissã0 atual, professor. Admirador e colecionador de Videogames e HQ’s. “Ele acredita realmente que sua vida faz parte do sonhar, pobre diabo leu tanto Sandman que ficou louco! Não existe muita coisa boa para saber sobre ele, uma pessoa normal que mora em uma casa que tem algumas portas e algumas janelas, às vezes abertas, porém às vezes encontram-se elas fechadas.”



sábado, 20 de março de 2010

Sentimentos Vagabundos



O poeta é um fingidor. Finge tão completamente. Que chega a fingir que é dor. A dor que deveras sente. Fernando Pessoa
É com essa citação do maravilhoso F.Pessoa que eu abro esta nova postagem .
Junto com todo o meu fascínio pela literatura fantástica e de terror/suspense vem o meu apreço pela poesia, o ultra romantismo e a escrita de Florbela Espanca,Caio Fernado, Hilda Hilst, Ana Cristina César, Mario Prata e muitos outros.É fascinante como eles conseguem de forma tão natural falar sobre o caleidoscópio de sentimentos que formam a alma humana.Minha singela homenagem a estes "enamorados" pelos mistérios do ser e sentir ...
Meu muito obrigado a minha esposa Débora, por te me apresentado tais "tesouros" da literatura contemporânea. Sabes que sou infinitamente teu...

Aqui coloco algumas frases que nasceram de forma despretensiosa e que acabaram não encontrando seu devido lugar em alguma das minhas historias ou contos. E assim ficaram como fragmentos, Ou melhor meros devaneios literários. Não me considero poeta ou até mesmo escritor. Sou um eterno "enamorado"...ah isso sou!
Então fica aqui esta postagem tão escrachada quanto intima.Espero que apreciem


"Do que importa se meus pensamentos foram impuros, meu anseios calamitosos ou minha verdade corrupta. Amei. Trai. Roubei. Menti, e tal como os puros de coração, por fim te perdi"

"Respondo aos meus inimigos com um leve sopro na cara, e assim um furacão se cria a partir do simples ato de repudiar a ofensa e ignorar a vingança"

" Antes que fique viciado em me consumir... Te aviso que a abstinência será devastadora "

"Não anseio a perfeição, honras ou ostentação. Escrever pra mim é anestesia, é sangria! Deixar a volúpia manchar o branco casto do papel, transformando as palavras em devaneios que um dia ousei guardar só pra mim!"


"...Cada rajada suave de vento além de embaraçar seus cabelos, trás até minhas narinas o seu perfume inebriante. Uma brisa flamejante de ardor e paixão. Podia fazer de seus lábios meu mundo. E que mundo desmesurado seria. Desejá-la é como andar na beira de um abismo, esperando que com um olhar ela me derrube. Não me importo com a queda. Sei que antes que meu corpo alcance o chão ela me puxará de volta. Para então, me derrubar novamente..."
Armin Daniel Reichert

sábado, 6 de março de 2010

Entrevista com o escritor André Bozzetto Junior

É com muita satisfação que apresento o escritor e amigo André Bozzetto Junior.
Gostaria de aproveitar a oportunidade e deixar registradas algumas considerações sobre o trabalho do André.
Conheci o seu trabalho através da antologia Metamorfose (Ademir Pascale org.) e desde então acompanho sua escrita através dos contos no seu blog escrituras da Lua cheia.
E é fato que o modo como escreve, com ambientação das historias, em geral no sul do Brasil, tem influenciado demais o meu trabalho ultimamente. Foi em razão dessa influencia que tenho me dedicado a olhar com outros olhos minha cidade natal, a bela Lages (SC). E se agora tenho meu trabalho focalizado em mesclar mitos universais com o cotidiano e belezas do sul, com certeza devo esta influencia ao amigo André Bozzeto Junior, que o faz com singular maestria.
Logo abaixo da entrevista eu apresento meu conto “ Luar nas Coxilhas” onde podemos conferir esta vertente de que falo. O conto é ambientado em uma escola na localidade rural chamada de Coxilha Rica. Um lugar de verdes campos e infinita beleza.aqui cenário de uma história insólita.espero que apreciem a entrevista e o conto.Obrigado a todos


Primeiro de tudo quero dize que é uma honra e uma satisfação de poder contar com a tua presença aqui como primeiro entrevistado do Geada negra. Apesar de como o tenho como amigo, esta entrevista toma ares de um bate-papo informal, como aqueles que tivemos em Sampa no lançamento da Antologia Metamorfose, da qual participamos. A grande diferença aqui é aquela cerveja gelada dos paulistas não nos acompanha no momento! (rs...)

A satisfação é minha em poder “conversar” com uma pessoa que aprendi a admirar não apenas como escritor, mas também como amigo. Além disso, aprecio todas as oportunidades que me são dadas de divulgar e comentar o meu trabalho. Quanto à cerveja, pode ter certeza de que há uma lata bem gelada aqui do meu lado enquanto escrevo essas respostas (risos)!



1- Conte da onde veio a essa admiração pelo mito do lobisomem?

Veio desde a infância. Em partes devido ao fato de eu ter nascido e crescido em uma cidadezinha do interior da serra gaúcha onde supostas histórias “reais” de lobisomens e assombrações sempre foram muito comuns – tanto que continuam sendo relatadas pelos mais velhos até nos dias atuais – e também em virtude de eu assistir incessantemente aquela infinidade de filmes de terror que eram exibidos e reprisados com muita freqüência nos canais de televisão aberta entre meados das décadas de 1980 e 1990 (bons tempos!). Entre esses filmes, os de lobisomens sempre foram os meus favoritos, até porque eram realmente excelentes, a tal ponto de continuarem sendo cultuados até nos dias atuais, como por exemplo, “Bala de Prata”, “Grito de Horror” e o insuperável “Um Lobisomem Americano em Londres”. Sem dúvida, esses foram os principais fatores que contribuíram por me tornar um fã incondicional das criaturas licantrópicas.


2- O que te chama mais atenção no mito dos lobisomens?

Tudo (risos)! Inicialmente, o que me fascinava era a metamorfose, a idéia de o homem se converter em algo diferente de sua concepção original, assim como o paralelo com a lua cheia (embora saibamos que isso é algo recente, que não existia nas versões mais antigas do mito). Contudo, atualmente me agrada a possibilidade de ver no lobisomem uma metáfora para a exteriorização dos nossos instintos, para a liberação da energia primal que cada ser humano carrega em seu interior e que, em certas circunstâncias, pode aflorar de forma avassaladora.
3- Suas principais influências literárias?

Minhas principais influências - pelo menos em termos de literatura fantástica - são as mais óbvias e se constituem nos autores que eu li com grande voracidade na infância e na adolescência e que continuo apreciando atualmente. Impossível não citar Bram Stoker, Mary Shelley, Poe, Lovecraft, R. L. Stevenson, Álvares de Azevedo e, logicamente, Stephen King e Clive Barker, sendo que esse último é o que mais me inspira (em termos de estética literária) na hora de escrever minhas próprias histórias.

4- Você estará lançando este ano o livro “Na Próxima Lua Cheia”, conte um
pouco sobre o livro, o processo de criação.

Esse é um livro que eu comecei a escrever em 2007, parei em função de uma mudança de cidade para cursar Mestrado, e só vim a concluí-lo em 2009. Eis a sinopse oficial: “Obcecado em desvendar a verdade por trás de uma história antiga e obscura narrada por seu pai no leito de morte, Lucas decide partir na companhia de dois amigos em uma viagem a um lugarejo remoto no interior da região serrana do Rio Grande do Sul. Chegando ao seu destino, ele descobre que há um alto preço a ser pago pelos segredos revelados, pois quando surge a lua cheia, o trio de amigos se vê diante de horrendas criaturas dispostas a manchar de sangue os tons sombrios da noite. Prepare-se para embarcar em uma viagem repleta de suspense, terror e reviravoltas ao acompanhar uma sinistra história sobre vingança e lobisomens que culmina em um final surpreendente e impactante”. Creio que esse é um livro que tem plenas condições de agradar não apenas aqueles que vêm acompanhando o meu trabalho ao longo do tempo, mas também todos os apreciadores de licantropos em geral, pois é uma obra criada por um fã de lobisomens para outros fãs de lobisomens. O livro sai ainda no primeiro semestre de 2010, pela Editora Multifoco.


5- Como você avalia sua participação na antologia Metamorfose: a fúria dos lobisomens?

Participar dessa antologia foi algo fantástico! Com certeza, um dos pontos altos da minha carreira de escritor, e digo o porquê: Em primeiro lugar, porque o livro está rapidamente consolidando o status de “cult” entre os fãs do gênero, e ter o meu nome incluído nesta obra é algo que certamente contribuirá para que o meu trabalho seja perpetuado entre os admiradores das criaturas licantrópicas. Em segundo lugar, porque há neste livro muitos autores promissores que eu aprendi a admirar e dos quais certamente ouviremos falar bastante, como M. D. Amado, Adriano Siqueira, Pedro Moreno, Leonardo Ragacini, o organizador Ademir Pascale e um tal de Armin Daniel Reichert (risos)! Logicamente, estou citando apenas os autores com os quais tenho mais contato, mas há muitas outras feras integrando a antologia, de forma que é uma satisfação para mim ter um conto publicado ao lado dos trabalhos desses caras. Sem falar que foi a “estréia” do personagem Jarbas, que tem rendido muitos elogios e comentários positivos entre os leitores do blog Escrituras da Lua Cheia.


6- Como você vê o atual cenário da literatura fantástica e de terror/suspense nacional? E com ênfase nos trabalhos que remetem ao mito do lobisomem?

De uma maneira geral, vejo o cenário atual como bastante favorável, pois tenho a impressão de que o número de leitores tem aumentado consideravelmente, assim como as editoras dispostas a investir em autores nacionais. Quando lancei o meu primeiro romance sobrenatural, “Odisséia nas Sombras”, em 1998, as coisas eram muito mais difíceis, pois não havia o fácil acesso à internet (que é uma inegável e poderosa ferramenta de divulgação) e número de editoras dispostas a lançar um livro de terror de um jovem escritor completamente desconhecido era bem restrito, de forma que os autores se viam muitas vezes obrigados a assinar contratos de publicação que estavam bem longe daquilo que se pode considerar o ideal, do ponto de vista financeiro. Pelo menos foi isso que aconteceu comigo. Hoje em dia as editoras exploradoras continuam existindo aos montes, mas há também opções para que os autores publiquem suas obras de forma decente.



7- Como foi o processo de escolha de editora, mandou para muitas, ou não, como foram às respostas etc?

Eu mandei os originais do “Na próxima lua cheia” para quatro editoras e todas retornaram dando pareceres favoráveis, dizendo que estavam dispostas a publicar o meu livro. Porém, passada a empolgação inicial, vieram as propostas e foi nesse momento que eu levei um susto. Dessas quatro editoras, duas queriam cobrar para publicar o meu trabalho, alegando uma parceria para cobrir supostas “despesas de editoração”. Creio que não haveria maiores problemas em realizar tal parceria, desde que os valores fossem justos. Porém, a quantia cobrada era tão exorbitante e desproporcional à descrição dos serviços prestados, que ficou claro que essas editoras querem apenas lucrar de antemão à custa dos autores, pois assim elas garantem o ganho de um bom dinheiro mesmo que os livros não venham a ser bem vendidos, de forma que os únicos a terem prejuízos são os autores. Eu simplesmente me recuso a publicar nestes termos. Por outro lado, entre as duas editoras que me fizeram propostas decentes, optei pela Multifoco, que foi a que me pareceu mais de acordo com o projeto que eu tinha em mente para a publicação do meu livro.


8- Novos projetos, futuros e em andamento?

Para o ano de 2010 a prioridade é trabalhar na divulgação do livro “Na próxima lua cheia” e do filme independente sobre lobisomem intitulado “Lua Perversa”, produzido, roteirizado e dirigido por mim. Também seguirei dando continuidade ao trabalho do blog “Escrituras da Lua Cheia” http://www.escriturasdaluacheia.blogspot.com/ , que tem sido algo muito gratificante em função dos elogios e comentários positivos, além do portal “Gore Boulevard” http://goreboulevard.webnode.com.br/ , onde terei uma coluna para escrever sobre literatura e cinema de horror em geral. Eventualmente, também não descarto a idéia de participar de algumas antologias cujas temáticas me pareçam interessantes, e quem sabe até eu decida me divertir novamente dedicando algum tempo à produção de um novo filme amador (risos)!

Amigo muito obrigado pela entrevista. Desejo muito sucesso nos teus projetos e tenho plena certeza disso. Grande abraço!

Sou eu quem agradece pela oportunidade. Grande abraço!

Perguntas rápidas:
Um livro:
“Drácula”, de Bram Stoker, por ter me iniciado na literatura de horror.
Um autor(a): Clive Barker, pela estética literária de sua obras, que me agrada bastante.
Um filme: “Um Lobisomem Americano em Londres”, de John Landis, por motivos óbvios (risos)!
Uma música: “Pet Sematary”, do Ramones, provavelmente a primeira canção rock pela qual me apaixonei, ainda na infância.

André Bozzetto Junior e Armin Daniel Reichert