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sábado, 6 de março de 2010

Entrevista com o escritor André Bozzetto Junior

É com muita satisfação que apresento o escritor e amigo André Bozzetto Junior.
Gostaria de aproveitar a oportunidade e deixar registradas algumas considerações sobre o trabalho do André.
Conheci o seu trabalho através da antologia Metamorfose (Ademir Pascale org.) e desde então acompanho sua escrita através dos contos no seu blog escrituras da Lua cheia.
E é fato que o modo como escreve, com ambientação das historias, em geral no sul do Brasil, tem influenciado demais o meu trabalho ultimamente. Foi em razão dessa influencia que tenho me dedicado a olhar com outros olhos minha cidade natal, a bela Lages (SC). E se agora tenho meu trabalho focalizado em mesclar mitos universais com o cotidiano e belezas do sul, com certeza devo esta influencia ao amigo André Bozzeto Junior, que o faz com singular maestria.
Logo abaixo da entrevista eu apresento meu conto “ Luar nas Coxilhas” onde podemos conferir esta vertente de que falo. O conto é ambientado em uma escola na localidade rural chamada de Coxilha Rica. Um lugar de verdes campos e infinita beleza.aqui cenário de uma história insólita.espero que apreciem a entrevista e o conto.Obrigado a todos


Primeiro de tudo quero dize que é uma honra e uma satisfação de poder contar com a tua presença aqui como primeiro entrevistado do Geada negra. Apesar de como o tenho como amigo, esta entrevista toma ares de um bate-papo informal, como aqueles que tivemos em Sampa no lançamento da Antologia Metamorfose, da qual participamos. A grande diferença aqui é aquela cerveja gelada dos paulistas não nos acompanha no momento! (rs...)

A satisfação é minha em poder “conversar” com uma pessoa que aprendi a admirar não apenas como escritor, mas também como amigo. Além disso, aprecio todas as oportunidades que me são dadas de divulgar e comentar o meu trabalho. Quanto à cerveja, pode ter certeza de que há uma lata bem gelada aqui do meu lado enquanto escrevo essas respostas (risos)!



1- Conte da onde veio a essa admiração pelo mito do lobisomem?

Veio desde a infância. Em partes devido ao fato de eu ter nascido e crescido em uma cidadezinha do interior da serra gaúcha onde supostas histórias “reais” de lobisomens e assombrações sempre foram muito comuns – tanto que continuam sendo relatadas pelos mais velhos até nos dias atuais – e também em virtude de eu assistir incessantemente aquela infinidade de filmes de terror que eram exibidos e reprisados com muita freqüência nos canais de televisão aberta entre meados das décadas de 1980 e 1990 (bons tempos!). Entre esses filmes, os de lobisomens sempre foram os meus favoritos, até porque eram realmente excelentes, a tal ponto de continuarem sendo cultuados até nos dias atuais, como por exemplo, “Bala de Prata”, “Grito de Horror” e o insuperável “Um Lobisomem Americano em Londres”. Sem dúvida, esses foram os principais fatores que contribuíram por me tornar um fã incondicional das criaturas licantrópicas.


2- O que te chama mais atenção no mito dos lobisomens?

Tudo (risos)! Inicialmente, o que me fascinava era a metamorfose, a idéia de o homem se converter em algo diferente de sua concepção original, assim como o paralelo com a lua cheia (embora saibamos que isso é algo recente, que não existia nas versões mais antigas do mito). Contudo, atualmente me agrada a possibilidade de ver no lobisomem uma metáfora para a exteriorização dos nossos instintos, para a liberação da energia primal que cada ser humano carrega em seu interior e que, em certas circunstâncias, pode aflorar de forma avassaladora.
3- Suas principais influências literárias?

Minhas principais influências - pelo menos em termos de literatura fantástica - são as mais óbvias e se constituem nos autores que eu li com grande voracidade na infância e na adolescência e que continuo apreciando atualmente. Impossível não citar Bram Stoker, Mary Shelley, Poe, Lovecraft, R. L. Stevenson, Álvares de Azevedo e, logicamente, Stephen King e Clive Barker, sendo que esse último é o que mais me inspira (em termos de estética literária) na hora de escrever minhas próprias histórias.

4- Você estará lançando este ano o livro “Na Próxima Lua Cheia”, conte um
pouco sobre o livro, o processo de criação.

Esse é um livro que eu comecei a escrever em 2007, parei em função de uma mudança de cidade para cursar Mestrado, e só vim a concluí-lo em 2009. Eis a sinopse oficial: “Obcecado em desvendar a verdade por trás de uma história antiga e obscura narrada por seu pai no leito de morte, Lucas decide partir na companhia de dois amigos em uma viagem a um lugarejo remoto no interior da região serrana do Rio Grande do Sul. Chegando ao seu destino, ele descobre que há um alto preço a ser pago pelos segredos revelados, pois quando surge a lua cheia, o trio de amigos se vê diante de horrendas criaturas dispostas a manchar de sangue os tons sombrios da noite. Prepare-se para embarcar em uma viagem repleta de suspense, terror e reviravoltas ao acompanhar uma sinistra história sobre vingança e lobisomens que culmina em um final surpreendente e impactante”. Creio que esse é um livro que tem plenas condições de agradar não apenas aqueles que vêm acompanhando o meu trabalho ao longo do tempo, mas também todos os apreciadores de licantropos em geral, pois é uma obra criada por um fã de lobisomens para outros fãs de lobisomens. O livro sai ainda no primeiro semestre de 2010, pela Editora Multifoco.


5- Como você avalia sua participação na antologia Metamorfose: a fúria dos lobisomens?

Participar dessa antologia foi algo fantástico! Com certeza, um dos pontos altos da minha carreira de escritor, e digo o porquê: Em primeiro lugar, porque o livro está rapidamente consolidando o status de “cult” entre os fãs do gênero, e ter o meu nome incluído nesta obra é algo que certamente contribuirá para que o meu trabalho seja perpetuado entre os admiradores das criaturas licantrópicas. Em segundo lugar, porque há neste livro muitos autores promissores que eu aprendi a admirar e dos quais certamente ouviremos falar bastante, como M. D. Amado, Adriano Siqueira, Pedro Moreno, Leonardo Ragacini, o organizador Ademir Pascale e um tal de Armin Daniel Reichert (risos)! Logicamente, estou citando apenas os autores com os quais tenho mais contato, mas há muitas outras feras integrando a antologia, de forma que é uma satisfação para mim ter um conto publicado ao lado dos trabalhos desses caras. Sem falar que foi a “estréia” do personagem Jarbas, que tem rendido muitos elogios e comentários positivos entre os leitores do blog Escrituras da Lua Cheia.


6- Como você vê o atual cenário da literatura fantástica e de terror/suspense nacional? E com ênfase nos trabalhos que remetem ao mito do lobisomem?

De uma maneira geral, vejo o cenário atual como bastante favorável, pois tenho a impressão de que o número de leitores tem aumentado consideravelmente, assim como as editoras dispostas a investir em autores nacionais. Quando lancei o meu primeiro romance sobrenatural, “Odisséia nas Sombras”, em 1998, as coisas eram muito mais difíceis, pois não havia o fácil acesso à internet (que é uma inegável e poderosa ferramenta de divulgação) e número de editoras dispostas a lançar um livro de terror de um jovem escritor completamente desconhecido era bem restrito, de forma que os autores se viam muitas vezes obrigados a assinar contratos de publicação que estavam bem longe daquilo que se pode considerar o ideal, do ponto de vista financeiro. Pelo menos foi isso que aconteceu comigo. Hoje em dia as editoras exploradoras continuam existindo aos montes, mas há também opções para que os autores publiquem suas obras de forma decente.



7- Como foi o processo de escolha de editora, mandou para muitas, ou não, como foram às respostas etc?

Eu mandei os originais do “Na próxima lua cheia” para quatro editoras e todas retornaram dando pareceres favoráveis, dizendo que estavam dispostas a publicar o meu livro. Porém, passada a empolgação inicial, vieram as propostas e foi nesse momento que eu levei um susto. Dessas quatro editoras, duas queriam cobrar para publicar o meu trabalho, alegando uma parceria para cobrir supostas “despesas de editoração”. Creio que não haveria maiores problemas em realizar tal parceria, desde que os valores fossem justos. Porém, a quantia cobrada era tão exorbitante e desproporcional à descrição dos serviços prestados, que ficou claro que essas editoras querem apenas lucrar de antemão à custa dos autores, pois assim elas garantem o ganho de um bom dinheiro mesmo que os livros não venham a ser bem vendidos, de forma que os únicos a terem prejuízos são os autores. Eu simplesmente me recuso a publicar nestes termos. Por outro lado, entre as duas editoras que me fizeram propostas decentes, optei pela Multifoco, que foi a que me pareceu mais de acordo com o projeto que eu tinha em mente para a publicação do meu livro.


8- Novos projetos, futuros e em andamento?

Para o ano de 2010 a prioridade é trabalhar na divulgação do livro “Na próxima lua cheia” e do filme independente sobre lobisomem intitulado “Lua Perversa”, produzido, roteirizado e dirigido por mim. Também seguirei dando continuidade ao trabalho do blog “Escrituras da Lua Cheia” http://www.escriturasdaluacheia.blogspot.com/ , que tem sido algo muito gratificante em função dos elogios e comentários positivos, além do portal “Gore Boulevard” http://goreboulevard.webnode.com.br/ , onde terei uma coluna para escrever sobre literatura e cinema de horror em geral. Eventualmente, também não descarto a idéia de participar de algumas antologias cujas temáticas me pareçam interessantes, e quem sabe até eu decida me divertir novamente dedicando algum tempo à produção de um novo filme amador (risos)!

Amigo muito obrigado pela entrevista. Desejo muito sucesso nos teus projetos e tenho plena certeza disso. Grande abraço!

Sou eu quem agradece pela oportunidade. Grande abraço!

Perguntas rápidas:
Um livro:
“Drácula”, de Bram Stoker, por ter me iniciado na literatura de horror.
Um autor(a): Clive Barker, pela estética literária de sua obras, que me agrada bastante.
Um filme: “Um Lobisomem Americano em Londres”, de John Landis, por motivos óbvios (risos)!
Uma música: “Pet Sematary”, do Ramones, provavelmente a primeira canção rock pela qual me apaixonei, ainda na infância.

André Bozzetto Junior e Armin Daniel Reichert

3 comentários:

  1. Parabéns pro dois! :}
    a entrevista ficou show e vou repassar ela hj mesmo. Abraços.

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  2. Acabei de ler a entrevista no Geada Negra...muito boa...parabéns.

    O André é uma pessoa incrível...e não sei porque me deu uma vontade de tomar uma "breja" no final da entrevista...HEHEHEHEHEH!!!

    ABRAÇÃO

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  3. “A VITÓRIA PERTENCE AO MAIS PERSEVERANTE..
    “O SUCESSO É A SOMA DE PEQUENOS ESFORÇOS”...

    Parabenizo e homenageio por meio deste o ESCRITOR ANDRE BOZZETTO JR e toda a equipe pelo lançamento do livro “INIMIGO FINAL”. Parabéns pelo EXCELENTE TRABALHO, DETERMINAÇÃO E PROFISSIONALISMO, realizado neste belíssimo trabalho e um brinde pelo SUCESSO! O potencial de trabalho de vocês é de grande valor para a comunicação brasileira. Recebam esta singela homenagem com meus sinceros votos de muitas realizações e planos futuros. Desejo nestas poucas palavras votos de muita SABEDORIA, CONHECIMENTO, ENTENDIMENTO e principalmente DISCERNIMENTO em todos os seus caminhos. Acabei de depositar na conta de vocês a importância de muitos DIAS, SEMANAS, MESES E ANOS DE FELICIDADE E PROSPERIDADE, SAÚDE, PAZ, AMOR e que Deus estenda às mãos sobre vocês e toda sua família e acrescente 100 por cento de juros em cima de tudo isso.

    “A MAIOR RECOMPENSA PELO TRABALHO NÃO É O QUE A PESSOA GANHA, MAS O QUE ELA TORNA- SE ATRAVÉS DELE.”

    DESEJO SUCESSO!


    PAULINHO Solução
    www.paulinhosolucao.blogspot.com
    paulinhosolucao@gmail.com
    pssolucao@hotmail.com
    Salto/SP

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