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quarta-feira, 6 de março de 2013

Tigre Lírio





eu sinto sua falta
podia acabar  aqui
ponto
quem dera
eu sinto sua falta
você de pijama segurando um chocolate quente tentando lembrar aquela canção
aquela?
sabe?
as historias acabaram e os personagens  permanecem perambulando
você é eternamente responsável por aqu
ah dane-se
o trigo é apenas trigo
a raposa sempre foi raposa
você  lembra daquela canção
sabe?
aquela? 
não existe canção alguma irmã 
é só o vento
eu sou o vento
embaraçando o teu cabelo
um Caim Arrependido
sou essa varanda                                  
um Fausto benevolente
o ranger da madeira morta
um Narciso displicente
o pássaro no sereno  
um Abel agradecido
sou essa nuvem que parece algodão
um Augusto íntimo e irrelevante  
no final de tudo não somos assim tão diferentes
esse mundo é uma grande cela onde pessoas colecionam pessoas
ainda nos veremos aqui ou em um exílio
assim que a mágoa ( essa companheira de viagem )
estiver com os pés cansados
agora você é apenas mais um pedaço meu
que anda por ai
livre
latente
sangrante
longe de mim.


Tigre Lírio
                            

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Minhas noites em Paris






Ela diz
“Existe um sol atrás dessas cortinas mal cheirosas”
Estico meu braço e toco o tecido encardido, a textura lembra teu cabelo embaraçado
Ela acende um cigarro e o quarto inteiro esta em chamas
Queria lembrar seu nome e esquecer seu cheiro

Ela diz
“ A vida é uma vadia sempre tentando te passar pra trás “
O beijo amargo no ventre afetuoso
Todos os fantasmas , o mesmo rosto
Todos os venenos, o mesmo gosto

Ela diz
"A decadência também tem seus direitos" 
O delírio supera a vulgaridade
Me sinto tão só aqui preso a você

Ela diz 
" Então a maldade sorriu, travestida e benevolente" 
Preciso reavaliar algumas promessas
Que Deus te perdoe pelos meus pecados



continua...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A Dama e a Serpente

*conto baseado na lenda da serpente do tanque.

Acalentamos sonhos à beira de rios gelados
A medida que a roda gira
Uma minúscula centelha a treva desafia...
E a roda gira... A roda gira.

Marion Zimmer Bradley


  
Há um pequeno lago onde moro, onde as lavadeiras buscam seu sustento lavando a roupas dos patrões lageanos, entoando canções que propagam antigos ensinamentos  e magias repletas de bondade. Escondem no simples e nobre oficio segredos que as condenariam ao ardor das maledicências. 
Junto com o por do sol fadigoso eu chego e permaneço escondido até a ultima lavadeira ir embora. Agora o manto da noite cai sobre esses campos. É quaresma, nenhum vivente temente a Deus fica fora de casa depois que anoitece. Contudo, não me tenha como um pagão aloucado,  sou cristão e devoto de Nossa Senhora das Lajens, e por isso enquanto caminho até o lago vou me benzendo e pedindo perdão. O  motivo pelo qual eu venho até aqui com certeza já condenou  minha sanidade e aos poucos também ira levar minha Alma. 
Permaneço imóvel em frente ao lago. O ar gelado castiga meus pulmões, causa arrepios. Queria ter medo, mas não consigo, fui tomado completamente pelo ardor do desconhecido, do inexplicável. O vento encarna minha agonia e escancara meu horror transformado em som. Ela sabe que estou a sua espera.  
 Ela insurge das águas geladas do lago a minha frente, seu corpo nu exibi uma brancura casta e mentirosa. Me abraça e acaricia minhas costas. Um cheiro de flores inflama minhas narinas entorpecendo meus sentidos. Percebo que de dentro do lago uma enorme serpente nos vigia. Foram assim todos os dias, e hoje quando termina a quaresma não poderia ser diferente. Com os olhos cor de café a bela menina me encara, e não diz uma palavra, nunca, não é necessário. Sua linguagem é a do toque, do aroma, do ato. 
 A lua cheia, agourenta, é testemunha de todo o alvoroço, lança seus raios de luminosidade tênue e esvaecida, caem sobre nós como espectadores displicentes, e junto com todo esplendor da natureza ao redor  tornam-se cúmplices deste crime sem precedentes.
Como ela é linda, a dama do lago, a senhora da serpente, ou será ela a própria? Longos cabelos negros caem sobre seus ombros e se estendem pelo chão até o leito do lago. Um sorriso convidativo se faz nos lábios que se abrem para um beijo intenso e demorado. Sinto seus dentes afiados mordiscando minha boca. desejá-la e como andar a beira de um abismo esperando que com um olhar ela me derrube. Não temo a queda, sei que antes que eu atinja o chão ela me puxara de volta para então me derrubar novamente.
Suavemente ela me leva até o lago, ele é o nosso leito, frio e vertiginoso. Abraça-me enquanto afundamos nas águas escuras e gélidas. Ele não parecia tão fundo olhando de fora. Seus braços me envolvem como serpentes em uma valsa desenfreada. Meu prazer explode em choro e se confunde com sua pele, com seu abraço que agora é de uma transparência assombrosa. Já não consigo respirar e nem tenho como voltar à superfície. Sou dela irrevogavelmente. No fundo do lago, onde outrora havia uma dama, descanso agora acompanhado somente da serpente.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Em pelo...

                            


                                   O lugar onde vivo o inverno é rigoroso. Às vezes mortal como a peste. Meu pai sempre me dizia “Para ser feliz me basta um prato de sopa quente e teu sorriso”. O frio castigou seus pulmões até que ele não aguentou mais. Às vezes acho que o que havia de melhor em mim morreu junto com ele. Não condeno minha mãe por se casar novamente, não é fácil viver sozinha com uma filha neste lugar. Contudo ela não poderia ter escolhido alguém pior, meu padrasto garante a lenha para manter o fogo acesso e mantimentos para nosso sustento. O restante do tempo ele preenche com sua tirania!                                                                                                            Para minha mãe, os regalos de uma vida ao lado de quem se ama deixaram de existir com a morte de meu pai. Agora ela chora baixinho de madrugada depois que meu padrasto adormece bêbado e satisfeito. Às vezes choro com ela, um choramingar abafado, Como se eu  pudesse ajudá-la a carregar o fardo de uma vida sem propósito, sem alegria. Essa rotina caótica acaba nos transformando de uma forma irrevogável.  
Vivemos uma era de trevas para as mulheres. Meu padrasto não me deixa esquecer. Com a voz asquerosa ele sussurra em meu ouvido:                                                                                                           
Quando você sangrar será minha.                                                                                                  
Sei que ele não esta mentindo. Junto ao seu olhar vejo sombras que vagam impregnadas de cobiça e devassidão. Ah muito quando olho para ele não enxergo mais o homem, só as tais sombras. 
Em uma manha de inverno acordei com os lençóis encharcados de sangue. Meu ventre anunciava que estava pronta para seguir a ordem natural da minha espécie. Juntei os vestígios da minha vergonha e fiz uma enorme fogueira no meio da floresta gelada. Dancei junto às labaredas crepitantes, onde somente estas nobres senhoras foram testemunhas do meu alvoroço. Lembrei das singelas cantigas que escondem em suas rimas nossas assombrosas tradições:                            


 "... O primeiro foi seu pai...                                                                                                                                                                                                                                                  o segundo seu irmão...                                                                                                                                                                                 o terceiro foi aquele...”


Que bom que não tenho irmãos. Quando voltei minha mãe me esperava com uma cesta repleta de caldas adocicadas, pães e frutas. Pediu que fossem levadas até a casa da minha vovozinha que fica do outro lado da floresta. Enquanto vestia meu xale vermelho escutei suas recomendações:    
         –  Não cheque perto dos lobos, não confie nos seus olhos! Eles mentem! – Acho que o mesmo conselho serve para os humanos.   
A floresta é amistosa, convidativa. Todos podem entrar, mas ela ira escolher aqueles que poderão sair. Nela tudo tem vida até o que não parece ter. Entre pinheiros centenários e arbustos cobertos de neve os olhos vermelhos do lobo se fazem iluminar. Ele me segue por todo o caminho, como um protetor afetuoso, escuto seu uivo cortando a noite e me junto a ele nesta canção, para que ele saiba que também tenho fome, sede e  desejos escondidos em instintos singelos , mas absolutos. Não temo meu companheiro de viagem. Ele me acompanha por um algum motivo e logo saberei, mesmo que custe minha vida ou minha sanidade.
Chego logo ao anoitecer na casa da minha vovozinha. O equinócio mostra seu poder na ventania berrante que embala flocos de brancura casta. Na chaminé alta uma fumaça densa mostra convidativa, que a lareira está a queimar. Apresso o passo e entro pela porta que estava destrancada. Aqueço-me frente à lareira que ilumina a casa escura. Na mesa os vestígios de um recente banquete, na taça um liquido vermelho e viscosos escorre pela borda.Percebo que não são lenhas que estão a estalar no fogo da lareira, são ossos!     
A porta do quarto se abre bruscamente, por onde surge meu padrasto com o desejo exacerbado no corpo nu. Ele sabia, estava a espreita. Tudo foi um plano seu, agora aqui no meio da floresta ele iria concretizar suas ameaças. Começa a rasgar minha roupa rosnando como um animal, declamando obscenidades que jamais poderei repetir. Fechei os olhos, estava paralisada pela raiva contida. Escuto o estouro seco da vidraça da janela ao nosso lado. Abro os olhos e vejo em cima do seu corpo um enorme lobo com os pelos oiriçados cobertos de neve. O devora sem clemência alguma. Antes mesmo do crime, o castigo. Por um momento me atormenta o destino do meu algoz, mas esta aflição se perde no deleite da revanche. Compaixão é para os fortes, e hoje eu me sinto tão fraca...Experimento o que posso chamar de vitória, mesmo sabendo que estes sentimentos que hoje me confortam, com o tempo irão me destruir. A claridade rubra do fogo da lareira junto com o sangue que desliza pelo piso de madeira preenche o ambiente com mil tons de um vermelho tão intenso, tão obsceno.  A punição é uma arte que meu lobo esboça com louvor. Ao lado da carcaça inerte do meu padrasto o lupino me encara com olhos que não são humanos, nem mesmo são de lobo, duas esferas de transparência impenetrável carregam um segredo tão profano que jamais poderei decifrar. Eu arrisco perguntar:                                                                                
                           Que olhos grandes você tem... – Ele não ousa responder, apenas abre a boca exibindo os dentes desacertados agora lustrosos pela saliva e o sangue fresco. Corri para o quarto a minha frente e deitei na cama arrumada fechando os olhos com força. Senti a cama balançar com seu peso, abri os olhos e não havia mais lobo, somente o homem, meu salvador, meu senhor por direito...
Penso quem contará a minha história? Estarei em fábulas sobre virgens desavisadas e lenhadores destemidos? Quem poderá com notoriedade declamar canções sobre desejo, desgraça e verdade? Pelas falhas nas cortinas de tecidos malcheirosos a lua nos alcança, criando pequeninas colunas carregadas de uma luminosidade insensata, que eu recuso neste momento onde a escuridão é mais segura. As paredes ficaram tão altas que pareço estar em um abismo.
Assim, repleto de luxuria e vertigens se forma nosso leito. Com seus lábios rentes aos meus sinto seu hálito candente, meu príncipe sorri com a boca cheia de fogo. Estaria em seus planos me devorar? Espero que sim... Quero que ele saiba que não a nada que ele queira tomar para si, que já não seja dele. Não há pavor neste fadário inoportuno, adormeço junto ao meu senhor e nos meus sonhos  encontrei o único lugar onde eu poderia ser feliz...Talvez para sempre...

Conto originalmente publicado na antologia  Historias Fantásticas Vol 1 (Editora Cidadella) e Leve-me pela Noite (Sesc) -2010-
                                                                                                                                                 

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dica de leitura - Cuidado com a lua...

O escritor gaucho André Bozzetto Junior estará lançando seu segundo livro intitulado “ Na Próxima Lua Cheia” pela editora Literata em parceria com o selo Estronho.

André mantém o blog Escrituras Da Lua Cheia onde publica regularmente seus contos sobre Lobisomens além da participação de escritores convidados.

Pra quem ainda não conhece o seu trabalho aqui vai cinco contos que estão entres os meus preferidos do autor. Saiba mais sobre O André no site oficial do livro

Sonhos De Pandora
Sexta-Feira Santa
 
                                             Na Proxima Lua Cheia - Site oficial

domingo, 25 de julho de 2010

Dicas de Leitura

Duas obras de autores nacionais em fase de lançamento!

Aos Olhos da Morte

Autor: M. D. Amado
Capa: Cleiner Magna / M. D. Amado
Parceria com a Editora Literata
21 contos.
Apresentação de Georgette Silen
Prefácio de Rober Pinheiro
Quarta capa de Miriam Castilho
Introdução de Nine

O autor desta obra o escritor M.D Amado é dos ícones da literatura fantástica nacional, seja pela sua escrita ou pelo seu empenho em promover a literatura nacional e seus autores. Desde 1996 o autor mantém no ar o site http://www.estronho.com.br/ que funciona como uma grande portal da literatura fantástica e de terror/suspense nacional, nele os autores podem ter seus textos expostos além de encontrar um apanhado geral sobre o cenário cultural,dicas de livros, noticias,lançamentos,entrevistas, zines.etc...
M.D Amado participou de varias antologias nacionais e tem disponibilizado para donwload o ebook Empada e morte o R.I.P Revista eletronica.
Ele também administra o selo estronho que já tem em seu acervo ótimas obras de escritores nacionais.
Dono de uma escrita envolvente, tensa e assustadora. Esta com certeza é uma das obras mais esperadas dentro da literatura fantástica nacional.

Sinopse
Quem nunca teve medo da morte? Ou estremeceu a simples menção dessa palavra?
Descubra, através destas páginas, o quanto você teme o inevitável. Está preparado para enfrentar a morte?
Se vista de coragem, familiarize-se com ela, mergulhe nestes parágrafos e descubra a dor e a beleza em cada conto. Sinta o hálito gélido da morte, encare seus olhos e deixe-se beijar.
Neste livro, M. D. Amado nos revela as várias facetas da morte e todos os sentimentos que provoca no ser humano: dor, ódio, medo, saudade, revolta... E amor. Tudo maravilhosamente escrito em 21 contos emocionantes e surpreendentes, sem limites entre o mórbido e o belo.
Entre, seja bem-vindo. Afinal, a morte nos espera...

Comunidade No Orkut

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=102921605
Saiba Mais
http://www.estronho.com.br/selo/index.php?option=com_content&view=article&id=49%3Aaos-olhos-da-morte&catid=35%3Apublicacoes&Itemid=62


Lázarus

Georgette Silen, nascida na cidade de Caçapava – São Paulo, É professora de arte, arte educadora, trabalha com teatro há vinte e dois anos, já escreveu e produziu peças teatrais, ganhou prêmios como atriz e diretora em várias cidades do interior paulista e também na capital. Participou de varias antologias com contos, prefacio e organização. Além de escritora talentosíssima é uma figura de um carisma inigualável, Não mede esforços para compartilhar todo seu conhecimento com os amigos ao redor. Com certeza é o inicio de uma saga que será referencia dentro da literatura fantástica. Sucesso pra você amiga!

Sinopse
Mistério, romance, alta tecnologia, sangue e morte passam a cercar a vida de LauraVargas, museóloga brasileira, após ela aceitar um surpreendente e inesperado convite para assumir o cargo de curadora de arte no The City Museum of Art and Gallery, em Bristol, sudoeste da Inglaterra,a cidade natal da família de seu pai. Disposta a começar uma nova vida ao lado da filha adolescente, Cinthia, Laura se surpreende ao descobrir que nem todos são aquilo que aparentam ser e que a eternidade é muito mais do que um conceito, ou uma simples palavra, quando ela encontra o Lázarus e recebe dele o seu “dom”. Agora, Laura precisa fugir de seus perseguidores, interessados em obter a “cura” milagrosa para todos os males, o dom ofertado pela misteriosa criatura lendária, e que se concentra em seu sangue.



Blog
http://sagalazarus.blogspot.com/

Comunidade no Orkut

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